Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Ele tem uma história ímpar, que envolve passagens pelo outro lado do crime… Agora, atuando como mediador de conflitos em favelas do Rio de Janeiro, reúne um arsenal de momentos importantes para a História do Brasil.

Assim é José Júnior, líder do AfroReggae, pai de família, homem influente no mundo do tráfico, apresentador do programa “Conexões Urbanas” (exibido pela Multishow), cidadão ameaçado de morte publicamente. Depois de participar de um Talk Show emocionante com o público convidado pela comitiva do CJE, Junior fez a gentileza de conversar comigo sobre a importância do convite para contar um pouco sobre sua história no Humanidade 2012.

Também lhe perguntei sobre o futuro. Afinal: podemos acreditar num futuro melhor para o nosso planeta? E tive a grata surpresa de ver que um homem tão importante nos aconselha a começar a tomar atitudes tão simples, que traduzam o nosso respeito ao ser humano. Assista o depoimento articulado de José Junior (logo abaixo do vídeo, é possível ler trechos das respostas de Junior na conversa que teve com o público).

José Junior, líder do AfroReggae, em conversa com o público no Humanidade 2012:

Sobre um problema latente: “Conseguimos levar os empresários de São Paulo para conhecerem e visitarem as favelas do Rio de Janeiro, mas não conseguimos levar os empresários do próprio Rio”.

Sobre o AfroReggae: “Talvez sejamos o único grupo que consegue entrar, mediar e ser respeitado no mundo do narcotráfico. Além disso, o AfroReggae tem parceria com a Anistia Internacional”.

Realidade: “Eu conheci jovens de comunidades quilombolas que se alfabetizaram aos 16 anos. Hoje eles estão fazendo doutorado”.

Universidade: “A política de cotas no Brasil é bem diferente da política afirmativa americana. A política de cotas no Brasil não visa só o negro; ela visa o pobre”.

Sobre o preconceito: “Aqui, a grande maioria das pessoas que são pobres, são negras”.

Alguém lhe pergunta: “Você é negro?”. Junior responde: “Depende da situação. Já fui considerado árabe quando passava pela alfândega de um país”.

Sobre seus ídolos: “Zuenir ventura, autor de ‘Cidade Partida’, é o grande mestre do AfroReggae. Ele nos ensinou muita coisa sobre as diferenças sociais. Já Betinho foi o grande ícone brasileiro! Ele já falava de sustentabilidade anos atrás”.

Sobre o crime: “Antes, os garotos queriam ser traficantes; agora, depois das UPP´s instaladas, eles querem ser policiais”.

Sobre as drogas: “Sou completamente contra a legalização. Ou você legaliza tudo, o que não é o caso, ou não legaliza nada. As drogas lícitas matam muito mais gente do que as ilícitas”.

Injustiça social x criminalidade: “No auge da violência nas favelas cariocas, menos de 0,6% dos moradores de favelas estavam envolvidos com a criminalidade”.

Sobre o Brasil: “Se para cada notícia ruim, uma fosse boa, o país iria mudar”.

Sobre o que devemos fazer pra mudar a realidade pra melhor: “As pequenas ações domésticas podem fazer a diferença: se a gente não tiver a percepção da realidade de quem está ao nosso lado, fica difícil transformar a sociedade”.

*Débora Nobre, Revisora de Conteúdo Web na Agência Digi, viajou a convite do CJE (Comitê de Jovens Empreendedores), ligado à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. O CJE é cliente da Digi, responsável por produzir conteúdo para seus perfis nas Redes Sociais.

As opiniões expressas neste artigo são estritamente pessoais, não representando a opinião do CJE, da Fiesp, ou da Agência Digi.