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Em 2008, um amigo me convidou para conhecer um dos parque mais bonitos do mundo: Torres del Paine, um paraíso perdido no meio da Patagônia chilena. A aventura deixou lembranças saudosas, agora compartilhadas em reportagem especial para o blog da Expo Mundi.

Sim, o texto abaixo foi publicado originalmente pelo www.expomundi.com.br (clique aqui para ver o conteúdo lá no blog, publicado hoje mesmo). Para facilitar, reproduzi aqui no Pelo Brasil, Pelo Mundo o relato de uma viagem inesquecível!

Torres del Paine, o paraíso perdido

Paisagens incríveis, animais exóticos, um pôr do sol encantador e gelo a perder de vista. Tudo isso certamente fará parte de sua aventura pela Patagônia chilena, um dos lugares mais incríveis que já conheci!

Estive no Parque Torres del Paine em dezembro de 2008, uma das melhores épocas do ano para enfrentar os dias de caminhada no meio da natureza. O convite veio de um querido amigo alemão, que havia planejado todo o roteiro, incluindo absolutamente todo o mínimo necessário para um passeio como esse: frutas secas, um bom sapato de trekking, mantimentos em conserva, uma mochila apropriada para não machucarmos as costas… Ah, e água fresca, docinhos apetitosos, um saco de dormir reforçado, roupas que aquecem o corpo e muita, muita disposição.

Animada com a ideia da visita à Patagônia, lá fui eu, sem nem desconfiar que essa é uma dica de roteiro para os fortes. Sim, porque você vai precisar de, no mínimo, quatro dias inteiros para percorrer os 76 quilômetros a pé (correspondentes ao W, roteiro clássico do Parque).

A viagem começa em Punta Arenas, cidade continental que fica mais ao sul do planeta. É lá que você pode conhecer o Estreito de Magalhães, a ilha dos pinguins, o estilo de vida de quem vive pertinho da Antártida (sim, é de lá também que você pode voar até o centro da terra, no polo sul, onde apenas os mais sortudos e corajosos conseguiram chegar em toda a história da Terra!).

De Punta Arenas é preciso viajar de ônibus até Puerto Natales, vila onde você poderá se abastecer – de comida e de energia – para começar a aventura pela Patagônia.

Nos albergues e pequenos hotéis dessa cidade, é possível comprar o traslado até a portaria do Parque Torres del Paine. Os preços não variam muito, e há saídas ao longo de todo o dia. São 115 quilômetros de estrada até o porto da Laguna Amarga, de onde se pega o barco até um dos pontos iniciais da trilha.

Em meia hora de travessia no enorme Lago, você já vai se apaixonar pelas nuances da paisagem que embelezam o ponto onde o vento faz a curva. Digo isso porque a segunda sensação que vai te acompanhar durante a caminhada é a de que lá é o fim do mundo, no sentido de um lugar em que você encontra solidão, calmaria, serenidade, e alguns amigos pelo caminho.

A primeira parada é uma parte do tal W. Esse é o trajeto tradicional, começando pela ponta embaixo da letra, de onde se chega ao Glaciar Grey, um bloco infinito de gelo maciço, que parece indestrutível. Do gelo até o horizonte, e do horizonte até o infinito, nenhuma vida existe, só silêncio… Nesse primeiro dia serão 14 Km de andanças entre arbustos, árvores altas, mata fechada, margens de rios e lagos azul indescritível.

Certifique-se de que seu calçado está devidamente amaciado, senão seus pés não vão aguentar o esforço. Eu passei por maus bocados pelas bolhas que o calçado novinho em folha causou nos meus pés desacostumados com longas distâncias.

Bem, voltando ao acampamento – porque lá, a forma mais econômica de se aconchegar num saco de dormir quentinho é alugando uma barraca, que certamente não resistirá aos ventos fortíssimos e balançará freneticamente durante toda a madrugada -, essa é sua chance de se satisfazer com o visual e pegar o barco de volta para a civilização.

Mas eu recomendo a segunda opção: seguir viagem e desafiar seus limites. Uma vez escolhendo essa opção, não há mais como sair do parque sem ser completando o trajeto. Nenhuma comunicação com o mundo lá fora ocorre, nenhum contato, nada de telefones… Internet, nem pensar!

Contiuando a caminhada, você irá se deparar com outros dois dias super divertidos. Muita gente decide passar esse tempo sozinha, refletindo sobre a vida. Outros andam em grupos: sexagenários, jovens, adultos, casais, crianças, bebês… Há todo tipo de aventureiro, e cada louco com sua mania!

Confesso que dispensei o meio do W, que leva a outro Glaciar (meu amigo disse que é sensacional, mas que o frio judia durante o percurso). No fim de tanta caminhada, orgulhosamente tendo andado 56 quilômetros, também não resisti às bolhas e machucados nos pés. Deixei o clímax da viagem para uma próxima oportunidade. Afinal, temos que deixar atrações especiais para vermos quando voltarmos aos lugares que conhecemos!

E não tive forças para acordar às 3 horas da manhã, enfrentar o frio gélido da Patagônia, caminhar 2 horas entre a floresta, e chegar ao pé da montanha, das famosas Torres del Paine, onde o nascer do sol deixa o cenário vermelho. Dizem que é uma cor única, uma sensação única de estar lá. Acredito. Mas me sinto recompensada, por enquanto, por só ter visto esse espetáculo da natureza à distância, no conforto da minha barraca, e depois voltar a dormir o sono dos justos. A viagem é cansativa, mas indiscutivelmente inesquecível!