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Promessa é dívida! Pois consegui manter-me segura ficando sempre atrás da faixa amarela. Você se lembra da história da semana passada?

Imune aos empurrões do metrô lotado (que, milagrosamente, esteve bem mais tranquilo após o acidente entre as composições na linha de trem – um dos piores acidentes da história dos vagões que circulam por São Paulo), comecei a prestar mais atenção nas personagens que encontro pelas andanças do dia a dia.

Em um dia foi o senhor sentado à mesa do restaurante. Observando a paisagem, ele tinha a boa companhia de um copo cheio de cachaça. Sim, cachaça, para acalentar a alma e despertar os nossos sentidos. Dizem que ele vai ali todos os dias, no mesmo bar, à mesma hora, para tomar a sua pinguinha diária. Fiquei imaginando qual seria sua história, de onde vem tanta simpatia no cumprimento a cada um que passa diante da mesinha singela de um restaurante delicioso da Av. Ipiranga.

No outro dia, outro senhor também me chamou a atenção. Bem alinhado, vestido com um jaleco branco sujo de molho de tomate, o senhor de cabelos bem branquinhos mantinha-se em pé, firme, no metrô cambaleante. Estava sério, compenetrado, ansioso para voltar para casa após mais um dia de trabalho (imaginei com meus botões…). Foi então que entrou no vagão um menino serelepe, com a vivacidade típica daqueles que têm seus 7, 8 anos… Bonitinho, engraçadinho, usando óculos coloridos, parecendo o Harry Potter. Ele entrou no metrô, sentou na primeira cadeira vazia que viu pela frente, e desatou a gargalhar depois que sua avó (presumo…) quase sentou no colo de um rapaz, perdendo o equilíbrio na primeira freada brusca. O menino ria livremente, divertindo-se com a situação; o rapaz não conseguia segurar o riso pela gargalhada gostosa do menino; e a avó morria de vergonha; e eu observava a cena imprevista, querendo registrá-la na memória em seus mínimos detalhes. A alegria daquele menino era a pitada de ânimo que faltava para terminar o dia!

Dando um salto na linha do tempo, encontrei duas “estátuas humanas” espalhado sua arte pela Praça Dom José Gaspar. Lá, um punhado de árvores ajuda a enfeitar a selva de pedra. Sob a sombra da vegetação centenária, dois homens pintados de dourado mexiam-se lentamente ao som de uma bela melodia. No letreiro, a explicação: era Santo Antônio, carregando um bebê, com outra figura que lembrava muito São Francisco de Assis. Sim, agora me vêm à memória: o segundo homem-artista levava um gavião pousado no braço. Em volta, transeuntes curiosos se aproximavam com receio, querendo acariciar o pássaro, e o bebê. Depois da foto, uma moedinha sagrada para quem se dedica a embelezar a correria cotidiana de quem trabalha no centro de São Paulo.

E que venham novas descobertas!