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A saga pelas viagens de metrô entre o centro da cidade e o conforto do lar, doce lar, continuam. Na sexta-feira passada, apressada para deixar tudo arrumado e partir para o tão esperado Sónar (Festival Internacional de Música Avançada e New Media Art, que aconteceu no Anhembi), vi mais uma cena que traduz bem o atual estado de caos e descontrole vivido pelo transporte público paulistano. Diante da linha amarela, fronteira entre a segurança e o risco de frequentar os trilhos do trem, ouvi algo inacreditável. “Olha ali!”, disse o amigo do rapaz. “Tem um sapato ali embaixo?”.

Curiosa como jornalista que sou, não resisti a dar uma espiadinha. Sim, caído desengonçado entre o trilho e a plataforma, perdido no buraco periodicamente ocupado por um trem veloz e carregado de pessoas apressadas e ansiosas, estava um sapato de executiva. De executiva porque era preto, de salto, elegante, chique, e agora perdido para sempre.

Nem tive tempo de sacar o “celular-máquina-fotográfica-em-todas-as-horas-vagas”. Antes que pudesse me recuperar da perplexidade de ver, ao vivo e em cores, o tão comum objeto caído na via, outro trem passou veloz entre a massa humana e o buraco antes ocupado por tão somente um sapato perdido.

Enquanto entravam no vagão, os amigos riam da cena imaginada: a executiva, vestida em seu tailleur aprumado, de meia calça, bolsa a tiracolo, e apenas um sapato. Um sapato que ficara sem seu par… “Já pensou que engraçado, ela andando “meio” descalça no metrô?!”, riam os dois.

Pois melhor perder o sapato do que a integridade. Nas próximas missões a caminho do trabalho, de uma coisa tenho absoluta certeza: nada de ultrapassar a linha amarela. Ver um sapato espatifado entre o trem e a plataforma não é uma cena agradável, tenha certeza!