Tags

, , , , , , , , , , , , , , , , ,

Ah, a Avenida Paulista. Tão concorrida, tão amada pelos paulistanos. É lá que tenho passado meus finais de semana, caminhando pelos quarteirões, me divertindo com a vida pulsante que existe por ali. Depois de mostrá-la para tantos estrangeiros, para alguns brasileiros que acabam estrangeiros em seu próprio país, e para eu mesma, que me surpreendo com cantinhos tão bem escondidos por lá, decidi que a Avenida Paulista merece um texto dedicado a ela. Assim, você pode seguir os marcos e ir aprendendo sobre a história da nossa São Paulo, que já passou por riquezas, revoluções, protestos, transformações… E hoje respira um arzinho do passado, mesclado com o progresso dos tempos modernos, em plena Paulista!

Aliás, vale dizer que a queridinha dos cinéfilos, modernetes, universitários, literatos, cultos, ganhou recentemente reportagem bacana do jornal “Folha de S. Paulo”, tem um mapa completo distribuído no escritório de informações turísticas perto do Conjunto Nacional, e possui ainda um audioguia inteiramente dedicado a ela, disponível para download em diversos idiomas (para “baixar” o áudio e viajar pela Paulista, clique aqui).

Directions


Eu prefiro começar o passeio pela estação Brigadeiro do Metrô, iniciando o percurso pela visita à Casa das Rosas, tão impressionante! Porém, é possível fazer o mesmo roteiro pelo “caminho de volta”, saindo da estação Consolação do Metrô, inciando a caminhada pela Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Tudo depende da facilidade: se você estiver pertinho da Consolação, comece por lá. Se estiver perto do Paraíso, faça o tour a partir do Shopping Paulista, por exemplo. O importante é ter em mente os pontos a serem observados, porque cada lugarzinho dali guarda um milhão de histórias!

The Roses´ House

Ao longo da semana, vamos detalhar a metade do caminho: da Casa das Rosas, até o quarteirão do prédio da Gazeta. Depois, continuaremos o roteiro, passando pelo MASP, pelo Parque Trianon… até o Conjunto Nacional e a concorrida Rua Augusta, que vive moderno período de glória no coração dos paulistanos. Preferimos dividir o roteiro para termos a chance de falar sobre a importância e a história particular de cada ponto turístico relevante.

Esquecida por alguns paulistanos, a Casa das Rosas é uma relíquia!

Construída em 1928, com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo (famoso naqueles tempos!), a casa mistura o chamado “estilo eclético”, tendo influências marcantes da Art Déco. Por fora, é possível ver os detalhes característicos do neoclassicismo.

Lá dentro, você pode visitar o espaço Haroldo de Campos, dedicado ao poeta (morto em 2003) que atualmente dá nome ao espaço cultural.

Além disso, é possível passear por décadas perdidas, através das madeiras maciças que sustentavam as casas dos anos 20, dos banheiros originais, do chão feito com delicados mosaicos, de móveis centenários, do vitral impecavelmente restaurado, da varanda que se abre para o jardim repleto de rosas, da história do próprio Ramos de Azevedo, que depois de projetar diversos casarões na Paulista, mandou construir a Casa das Rosas para a sua filha, que ali morou durante vários anos.

Hoje, a A Casa das Rosas- Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura é o lugar certo para quem gosta de encontros literários, sarais, teatro, cinema, música… Vale lembrar que o espaço virou um marco da Avenida Paulista porque, segundo dizem, sobreviveu à cobiça de grandes incorporadoras. Tombada como patrimônio público em 1985, a Casa das Rosas teve seu terreno preservado, ficando encrustada entre dois edifícios, mais um gigante arranha-céu na parte de trás. É justamente aquele prédio que poderia ter destruído essa beleza da arquitetura brasileira do século XX. Reza a lenda que a tal incorporadora pretendia construir três torres iguais, espelhadas, majestosas, perfeitas como centros financeiros do mundo capitalista. Porém, a Casa das Rosas conseguiu se salvar, graças ao apelo popular, que impediu a compra de todo o terreno. Assim sendo, o espaço cultural serve, hoje, de caminho para os profissionais que por ali passam até chegar ao trabalho… A casa virou o quintal de executivos apressados, que vez ou outra encontram tempo para se esquecerem de que estão em plena Avenida Paulista, parando para tomar um “café com bolo” na cafeteria que funciona na parte de trás, escondida entre um limoeiro, e um jardim recheado de belas rosas.