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O chileno Sebastián Alegría criou o @AlarmaSismos e revolucionou a prevenção de desastres em seu país. Depois de criar o projeto de um Twitter, aliado ao complexo sistema de sensores espalhados pelo Chile, mais os alertas enviados aos celulares da população… O garoto encanta seus espectadores com seu entusiasmo e compreensão dos problemas que a sociedade deve enfrentar, com atitude e responsabilidade.

Falando assim, parece ser bem difícil de explicar sobre o quê Alegría veio falar aqui hoje, na Campus Party Brasil 2012. Com o perdão do trocadilho, ele veio simplesmente compartilhar uma ideia que quer espalhar alegria onde seria mais provável encontrar somente o caos. Porque não é tarefa fácil salvar vidas diante da previsão de um terremoto como o que ocorreu no Japão e no Chile. Confira a entrevista completa, veja como Sebastián Alegría cuida de suas boas ideias e arregace as mangas para ver o seu próprio projeto sendo realizado. Logo abaixo você pode ler a tradução de nossa reportagem com o autor do @AlarmaSismos

Débora Nobre -Jornalista da Rae,MP e enviada especial à Campus Party

Twitter: @dehnobre

Rae,MP: Como surgiu a ideia do projeto?

Sebastián Alegría: O projeto começou quando vi o terremoto no Japão. Estava prestando atenção no sistema que eles tinham lá. Os japoneses tinham uma organização impressionante: em cerca de 30 segundos, ou um pouco mais, para agir antes de acontecer o terremoto. Fiquei espantado e muito curioso para ver como funcionava, e se funcionava mesmo. A partir de então, encontrei um dado importante: o sistema japonês conta com 4000 sensores, aproximadamente, ao redor da ilha. Além disso, há outros sensores feitos de forma muito mais barata, um tanto caseira até. Quando conectados a um equipamento de alumínio, estes tipos de sensores, que fazem parte da rede que os japoneses possuem, geram uma rede de informação parecida.

Assim sendo, estes sensores que usamos foram totalmente inspirados nos sensores do Japão. Usamos a mesma ideia, mas de forma mais barata.

Rae,MP: E como funcionou seu trabalho quando ocorreu o terremoto no Chile?

SA: Bom, no dia 27 de Fevereiro de 2010, lancei a mensagem “terremoto”, e essa mensagem ainda segue publicada desde a data. Mas naquela ocasião não sabia sobre o sistema que já existia no Japão, nem havia pensado no projeto… Porém, minha atitude foi muito útil nesse dia, porque os sensores instalados no sul do Chile deram o alerta e o mesmo chegou um minuto antes do terremoto em Santiago [capital do Chile]. A população, nesse momento, pôde receber um alerta pelo celular, e só então veio o terremoto.

Rae,MP: Isso quer dizer que o @AlarmaSismos ajudou a salvar muitas vidas no terremoto do Chile?

SA: Sim, pode ser que tenhamos conseguido isto. A ideia é que, para o próximo (é claro que não queremos que ocorra um outro terremoto), consigamos ajudar a salvar vidas. Para isso, é preciso que existam sensores instalados em todo o país. Ou seja, uma vez que todos eles já estejam funcionando, pode acontecer o terremoto que vamos estar preparados para nos prevenir de forma eficiente.

Rae,MP: Nesse momento, o governo está ajudando o seu projeto?

SA: Sim, uma entidade do governo, que se chama Onemi [La Oficina Nacional de Emergencias], encarregada de cuidar de emergências nacionais. E eles estão trabalhando há um mês nisso para que todas as regiões do Chile tenham sensores. Quando todos estiverem instalados, conseguiremos alertar a população um minuto – ou talvez até em menos tempo, 90 segundos, por exemplo – sobre o que vai acontecer [no caso, o abalo sísmico].

Rae,MP: O que você acha que os jovens devem fazer para convencerem seus pais a apoiarem seus projetos?

SA: Meus pais acreditam que eu não deveria deixar meus estudos. Eu mesmo já não iria querer abandonar os estudos, acredito que o mais importante é mesmo continuar estudando. No entanto, poderia da mesma maneira ter ideias de projetos úteis e criativos. Pois nem por ainda ser jovem, ou por ter algum empecilho, não iria colocar ideias em prática sem acreditar que seriam úteis para a sociedade. Aconselho que os jovens não tenham medo, porque no final das contas, se não houver alguém para dar apoio às outras pessoas nesse momento, não teremos projetos que no futuro vão ser de muita, muita serventia para o desenvolvimento de projetos de laboratório, experimentais, de tentativas de melhorar a nossa vida.