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O texto é curto. Primeiro porque é insuportável assumir que você passou a noite de ano novo em um programa de índio. Segundo porque investi minhas energias no próximo assunto (a saber, os postos de atendimento que pretendem remediar o sofrimento dos azarados do Rèveillon).

No ano passado, tomei uma decisão importante. Era hora de cumprir uma das 50 coisas a fazer antes de morrer: ver o espetáculo com os fogos de artifício em Copacabana, no Rio de Janeiro. As belezas daquela noite foram registradas em texto, videoreportagem, fotos e imagens inesquecíveis. Diante da sensação inédita de ter pisado lá pelo menos uma vez na vida, desafiei a sorte e fui virar esse ano mais uma vez na praia carioca.

Sei que há coisas que devemos fazer apenas uma vez, porque a segunda experiência dificilmente supera o primeiro encantamento. Esse é forte, quase imbatível.

Porém, os amigos iam, o namorado recente também, e eu tinha muito a comemorar. Uma reunião de bons motivos me levaram a imaginar que o segundo Rèveillon nas areias de Copacabana compensavam o risco de viver um programa de índio. Ledo engano…

Nada do que falei no começo do ano passado era mentira. Se você tiver sorte! Se não estiver chovendo, se você se organizar bem, se estiver com o espírito aberto para a aventura.

Contudo, se São Pedro resolver mostrar que existe, o esquenta se estender mais do que deve, e seu bom humor ir para o espaço, o Rèveillon em Copacabana vira um inferno. Não comigo, digo de pronto. Pois tenho a mania irritante de transformar qualquer porcaria em uma grande lição de vida.

Por isso, também me vi na obrigação de relatar uma festa que pode, muito facilmente, virar qualquer porcaria…

Ir à praia é tranquilo. Com chuva ou céu estrelado, as pessoas rumam para lá com calma, não vi sinal da mínima confusão. Ver os fogos também. Cada um procura seu espaço, não vi igualmente o mínimo sinal de desentendimento.

O grande empecilho é a volta para casa. A dica é: volte a pé. Sim! Seja para caminhar por 10 minutos, seja para andar por uma hora. O que vale é ter a certeza de estar em casa longe da confusão.

Se isso não for possível, tome uma injeção de paciência. Porque haja paciência com taxistas que escolhem o passageiro, cobram o preço que querem e pintam e bordam com quem está desesperado pra ir embora. Pior: haja compreensão com motoristas de ônibus que passam direto pelo ponto, sem mais nem menos. Metrô? Quase dois quilômetros de fila para entrar no metrô. Eu comecei a ir embora à 1 h da manha, cheguei em casa exausta às 3:30 h da madrugada. Um amigo que mora em Jacarepaguá pegou o caminho da roça às 4 h da matina, e chegou ao lar doce lar às 8 h, com o sol a pino. Nenhum amigo deu notícias de voltar para casa facilmente. Ou seja: ir para Copacabana e ver a noite de Rèveillon lá vale muito a pena. Voltar é que irrita e pode estragar a festa, transformando a alegria do ano novo em um belo programa de índio.

O contratempo de ano novo…

No próximo capítulo da fatídica noite, veja os perrengues que passam os corajosos que ficam a noite toda sob a tenda do posto médico.