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O mundo anda dividido. De um lado, estão os BRICS. Do outro, os PIIGS. No meio da confusão, o Brasil anda de cabeça em pé, vencendo tantas previsões avassaladoras para a economia mundial.

Entendamos. Há um tempo, talvez desde o princípio dos tempos, a Grécia vem gastando muito mais do que podia. Oficialmente, isso aconteceu durante toda a última década, quando os gastos públicos foram absurdos, os salários dos funcionários públicos dobraram, a dívida só crescia. Em 2008, veio o xeque-mate: o mundo viu recair sobre os países a crise do crédito, e os investidores pensaram mil vezes antes de emprestar dinheiro aos gregos. No final das contas, eles não seguraram as pontas e a Grécia quebrou, causando perigo à saúde e vida longa do Euro.

Para piorar o que já parecia perdido, outros países se juntaram à pindaíba que os problemas financeiros andam gerando entre as nações. E assim surgiu o grupo dos Piigs, com a Grécia liderando a turma que reúne Itália, Irlanda, Portugal e Espanha. Todos eles estão tirando o sono de muita gente. A começar pelos primeiros-ministros, que começam a cair em si e acabam não resistindo às pressões internas e externas.

Os últimos acontecimentos incluem uma promessa surpreendente de Silvio Berlusconi. Ontem, o premiê italiano prometeu renunciar depois que o pacote de austeridade (um conjunto de leis que pretendem fomentar o crescimento econômico na Itália, reduzindo a dívida externa) seja aprovado. Nesse cenário, os especialistas apontam que o próximo a cair será José Luis Rodríguez Zapatero, presidente da Espanha.

Enquanto o Velho Mundo vê os castelos de areia ruírem, os países emergentes são conclamados a se manifestarem diante de tão caótico momento econômico. O Brasil venceu a crise de 2008, e continua evitando que a peteca caia nessa hora. Junto com Rússia, Índia, China e África do Sul, parece que seguimos a cartilha e conseguimos caminhar sem a ajuda de ninguém.

Aliás, são eles que andam querendo a nossa ajuda. Por aqui, a polêmica gira em torno justamente disso: será que devemos enviar dinheiro aos primos ricos, enquanto somos assolados por inúmeros problemas que não veem solução há muito e muito tempo?

O impasse parece longe de ser resolvido. Pelo menos, a presidenta Dilma Rousseff não fica em cima do muito e bota mesmo a boca no trombone. Na segunda-feira, ela defendeu que todos os países façam mais do que salvar os bancos. Eles deveriam garantir ao menos a renda para as famílias pobres. Segundo a presidenta, oferecer renda às pessoas em estado de pobreza extrema não é filantropia, mas sim oportunidade para que elas consigam superar as dificuldades.

Inspirado no controverso programa Bolsa Família, a Organização Internacional do Trabalho planeja criar o Piso Mundial de Proteção Social, fundo para proteger aqueles que já viviam em situação crítica, e viram o dinheiro sumir de vez com a crise mundial.

Ao programa de rádio Café com a Presidenta, Dilma teria concluído dizendo que o Brasil tem uma boa reserva de 350 bilhões de Dólares, além de cerca de dois milhões de empregos criados com carteira assinada, o que teria nos salvado mesmo da bancarrota. “O que é diferente entre nós e os países ricos que estão em crise é que temos uma economia sólida, temos bancos sólidos, controlados e regulados”, enfatizou. Sorte nossa, sorte nossa…

*Texto escrito para o blog da Rae,MP