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Antes tarde do que nunca, eis aqui a parte final do Guia de Sobrevivência na África do Sul, idealizado para facilitar sua viagem ao país onde o turismo é mais divulgado aqui no Brasil.

E fez-se a luz

Estamos plenamente acostumados com o sistema de recargar dos celulares. Afinal, nada é mais comum do que comprar créditos para fazer uma chamada em terras brasileiras. Pois o mesmo processo se aplica perfeitamente ao pagamento de energia na África do Sul. Ué, quer acender uma lâmpada? Então é só comprar 160 unidades de luz…

Estranho?! Não se o assunto é fornecer energia para as casas africanas. Onde morei, é claro que nos esquecemos disso em uma noite de domingo. E lá ficamos eu e minha amiga à luz de velas, usando os últimos minutos da bateria do computador para entreter nosso fim de tarde sem Faustão ou Fantástico (bem, ainda bem que não tínhamos isso!). Quando tudo terminou mesmo, gastamos ainda algumas horas conversando no escuro. Sim, impensável e factível!

No dia seguinte, corremos para o posto de gasolina, compramos algumas unidades na loja de conveniências, chegamos em casa e finalmente carregamos nossa caixa de luz ou seja lá como aquilo se chama. E fez-se a luz!

Transporte público

Esse parêntesis em meio a tantas lembranças sobre o mês na Cidade do Cabo insiste em surgir na memória. Sendo assim, não posso deixar de alertar turistas, estudantes e apaixonados por viajar pelo mundo afora. Em hipótese alguma se arrisquem a andar de trem após às 18 horas. Não duvidem, isso é muito sério. Perdida nos primeiros dias e totalmente deslumbrada com os encantos de Cape Town, bastou uma noite na estação de ônibus e de van entre as 19 e 21 horas para que eu sentisse calafrios todas as vezes que coloquei os pés lá novamente. Até no dia em que eram 11 horas da manhã e havia outros 9 estrangeiros comigo eu não deixei de me espantar com as lembranças de uma noite de horror.

Para resumir a ópera, ninguém põe os pés lá após às 18 horas. E ninguém tem o direito de subverter esta regra por mera curiosidade. Nem por maluquice, nem por achar que podemos mudar a África, ou por qualquer outra ideologia. Talvez eu tenha sido perdoada pelo descuido porque não tive intenção de transgredir a cultura, era apenas alguém desavisada em meio ao caos noturno africano, onde tudo pode acontecer…

Plantão Médico

Sobrevivente naquela noite traumatizante, fiz a proeza de torcer o pé em minha segunda semana. Tsc, tsc… Ao menos assim pude testar um dos hospitais mais importantes da Cidade do Cabo: o Christian Barnard Hospital.

Entrei no pronto-socorro, preenchi a ficha, fui avisada de que ia deixar ali uns milhares de Rands. Fazer o quê, o pé doía mais do que tudo e eu queria que o médico desse o aval sobre a saúde do tornozelo inchado. Assim sendo, fiquei sentada na maca aguardando o doutor salvador da pátria. Torcer o pé poderia ser uma providência do destino e o príncipe encantado apareceria vestido de branco… Doce ilusão!

Pesando uns 120 quilos, dentro de um macacão verde hospital, um senhor apareceu para apertar o meu pé e simplesmente dizer: precisa de raio-x!!!! Ok, raio-x era igual a outras centenas de Rands.

No total, saí de lá 2000 Rands mais pobre (o seguro no Brasil ainda não me respondeu a respeito do reembolso, mas com os Correios em greve fica difícil…), com 6 chapas do meu pé perfeitamente no lugar, umas 3 horas perdidas respirando o ar saudável de um pronto-socorro, um par de muletas como souvenir e a certeza de que o sistema de saúde sul-africano não está tão longe do nosso. Ah, e o médico nada eficiente estava jogando paciência quando fomos embora. E nem disfarçou! Talvez fosse passar o resto do seu tempo encaixando ases, reis, rainhas, valetes…

Caso de polícia

Para completar minhas dúvidas antropológicas a respeito dos sistemas de lá, fui para a delegacia. Calma, esse não era um dos poucos pontos turísticos. Eu e outra amiga fomos furtadas na penúltima semana e precisamos enfrentar uma hora e meia de delegacia para voltar para casa sem o B.O. Precisa explicar mais alguma coisa?

Quer saber mais?

Leia também: a 1ª parte e a parte 2 do Guia de Sobrevivência na África do Sul, além de outros textos sobre o país.
Ah, e não deixe de assistir as reportagens gravadas em passeios inesquecíveis nas redondezas da Cidade do Cabo!