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Antes de vir parar na Cidade do Cabo, África do Sul, já tinha ouvido falar que o vento é recorrente por aqui. Independente da estação do ano, faça chuva ou faça sol, me disseram que a ventania fazia parte da vida local, praticamente. Isso sem ter nenhuma tempestade, nenhuma gota de chuva. Um ventinho normal daqui é capaz de fazer voar muita coisa pelos ares.

O que ninguém tinha comentado ainda era sobre a instabilidade do clima. Um dia pode ter todas as estações do ano, com um sol escaldante dando lugar a uma ventania desenfreada que balança as árvores e afugenta os pássaros dos céus. No domingo, passamos a manhã acreditando que o verão teria voltado e ia dar praia com certeza. Ledo engano… Concentradas no pé da Table Mountain, as nuvens resolveram descer para a cidade, deixando tudo nublado e gélido. Má idéia sair sem levar um casaco como prevenção a qualquer surpresa climática.

Como a que deve ter acontecido hoje com muita gente. Logo cedo me lançaram a pergunta: “calça comprida ou short?” Eu recomendei a calça comprida, porque o amanhecer encantandor é capaz de enganar muita gente. Ainda bem que acreditaram em mim, pois agora mesmo fico feliz por saber vou ficar em casa. Dentro do quarto ouço as folhas balançando lá fora e o assovio na janela, indícios de que a temperatura exterior não deve estar nada agradável.

O contraponto é a capacidade que esse clima maluco tem de produzir cenas surreais como essa que eu vi na segunda-feira de manhã, em pleno centro da cidade.

Para tirar qualquer dúvida a respeito do poder que os ventos africanos podem ter, tirei essa foto no caminho para o Cabo da Boa Esperança. E até agora estou refletindo se esse lugar mereceu ter perdido a designação mais apropriada de “Cabo das Tormentas”.