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O sol ficou brilhando no céu azul que embeleza as tardes quentinhas de outono. Os músicos já estavam a postos, com violões empunhados prontos para espalhar a melodia pelos quatro cantos. A platéia foi chegando, e alguns ficaram até o final para ver a tarde cair e a lua brilhar, majestosa, no céu.

Na terra, túmulos formavam fileiras sem fim. Quem andasse pelo Cemitério Nosso Senhor dos Passos, em Guaratinguetá (SP), poderia pensar que algo de errado estava acontecendo. Mas isso seria um engano. Hoje, quem esteve lá no cemitério pôde ver um dos eventos mais formidáveis do mundo.

Serenata ao ar livre

Nós filmamos a serenata em homenagem à Dona Eta, e vamos publicar na quarta-feira, dia 18, a reportagem sobre o evento. Porém, eu precisava registrar os momentos mágicos de uma manifestação cultural espontânea e emocionante.

Quando poucos permaneceram no cemitério, ouvindo músicas que já não são mais ouvidas, os músicos deram início ao momento mágico. Enquanto soava a melodia no ar parado do cemitério, bem na hora do lusco-fusco, o cantor interpretava a composição: “foi mamãe, foi mamãe”…

Parecia que ninguém respirava. No meio do cemitério, no meio da cidade, o tempo parou. Um pouco afastado, o casal de namorados ouvia abraçado; os senhores e senhoras (acreditem, eu era de longe a mais nova ali) tinham o olhar perdido; as cruzes compunham o cenário.

Quando terminou, o cantor disse que a música Canção pra mamãe, de Silvio Caldas, era de mil novecentos e nada. O senhor ao meu lado falou, emocionado, que aquelas músicas eram do tempo dele, dos bailinhos, das paqueras, dos bailes de formatura de fraque. De tempos que infelizmente ficaram para trás.

Em uma tarde, ouvi canções que nunca havia aprendido. Em uma tarde musical no cemitério, fiz parte de um coro de mais ou menos 30 velhinhos, que mostravam como a memória pode nos transportar para outras atmosferas.

A despedida

Junto à Dona Eta, e a tantos que já se foram, vivemos um tributo especial. As canções vão trazendo pessoas especiais à lembrança. O tempo vai passando…

O cantor anuncia o fim. Em dias de correria e mil afazeres, paramos para pensar na vida enquanto cantamos dentro de um cemitério, num dia realmente especial.