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Parece que eu ainda estou meio tonta. Depois de ontem, fica difícil imaginar o que mais alguém pode ser capaz de inventar para enfeitiçar os olhos da platéia…

O U2 conseguiu superar toda e qualquer expectativa. Já sabíamos que ia ser um baita de um show, já sabíamos que ia estar lotado e tinha gente dormindo na porta do Estádio do Morumbi desde quarta-feira. Já sabíamos da mega estrutura, do palco imaginado em um mesa de jantar, com quatro garfos servindo de protótipo. Mas jamais seria possível prever o espetáculo que essa banda conseguiu executar.

Sim, porque divagar em projetos mirabolantes é fácil. Pense numa nave espacial descendo ao chão, de onde saem quatro artistas que hipnotizam noventa mil pessoas durante 2 horas. Impossível? Então coloque os pés no chão e pense em um estádio apinhado de terráqueos ansiosos para ver a transformação da estrutura gigantesca instalada ao centro do campo. Eu nunca entrei numa nave espacial, mas parece que eu saí de uma delas ontem à noite.

O aperitivo

Na chegada, os vendedores anunciavam suas capas de chuva salvadoras da pátria. O dia ameaçara a tempestade, entretando parecia que o céu só iria desabar justo naquela hora. Por isso, “comprar a capa para manter a chapinha perfeita” era o conselho anunciado aos quatro cantos.

Na entrada, a fila contornava o quarteirão e continuava a perder de vista. Andando a passos de formiguinha, víamos os espertinhos furarem a dita cuja, para fúria daqueles que esperavam pacientemente. Paulistano gosta mesmo de uma filazinha, mas fica louco da vida quando alguém quer passar na frente…

Na arquibancada, às 7 horas da noite, só podíamos mesmo conseguir 3 lugares separados. Um em cada degrau. Tinha gente que estava ali desde as 3 horas da tarde. Ainda não decidi o que é melhor: ficar esperando e garantir o melhor lugar no “puleiro”, ou descansar durante a tarde para chegar inteiro ao show. A segunda opção tem dado certo.

Pouco depois, começa o show da banda inglesa Muse. Fiquei surpresa: eles mandaram muito bem e saíram encharcados pela chuva que, enfim, caiu. Com a abertura da noite garantida,  o melhor estava por vir.

Surreal

Se contar ninguém acredita, mas é tudo verdade. Cada segundo da apresentação do U2 parece planejada. Os pingos pararam de cair, os técnicos preparam o palco para o quarteto, o relógio completou os 360º que intitulam a turnê. Ali ia acontecer uma coisa inexplicável. É o êxtase do êxtase. Desde a entrada deles, a subida ao palco acompanhada pelas câmeras e transmitida no telão, as luzes que vêm de todos os lados, aquela geringonça montada para girar e permitir que todos vejam o show. Você pode estar no ponto mais longe da arquibancada e mesmo assim vai vê-los bem. Pequeninos lá embaixo, mas perfeitamente espetaculares.

Alguém disse na saída que parecia ter entrado em transe… Foi assim mesmo. É quase inacreditável. Tudo o que parece impossível aconteceu: o palco se abrir em gomos, parecendo uma colméia; os instrumentos tocarem sem nenhum fio, nenhum! Você não sabe se olha pro Bono, pro The Edge, pro Adam ou pro Larry. Você não sabe se vê a banda, o telão quase em 3D, o topo do palco, a platéia, as pessoas chorando na hora em que todos acenderam luzes e isqueiros para homenagear as crianças da escola de Realengo, as imagens e vídeos que caracterizam o ativismo político da banda… é coisa demais!

No final, enquanto saíamos perplexos pela chuva que voltava a cair justo quando a banda saiu do palco (eles combinaram isso com São Pedro também?), um menino andava contra o fluxo perguntando se o show já ia começar. Pois é, voltamos ao Planeta Terra duvidando se aquilo foi sonho ou abdução a outro mundo completamente inimaginável, mas tornado real pela maior banda viva de todos os tempos.