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Capa, capa, capa! Ingressooooo? “Não, obrigada.” Já garanti o meu há mais de um mês. Agora é enfrentar a maratona de mais um show no Morumbi. A bola da vez? Shakira!

A aventura estava planejada faz tempo, mas quase nada em São Paulo é totalmente previsível. O esperado sábado de sol, convidativo para ouvir a seleção de artistas do Pop Music Festival, transformou-se em um típico dia de céu cinzento e muita garoa caindo sobre a cidade. Sim, eles sempre se esquecem de avisar a São Pedro que o fim de semana chegou.

O melhor roteiro que descobrimos para ir e chegar a tempo a um concerto em pleno Estádio Cícero Pompeu de Toledo é conseguir uma carona até o máximo ponto livre de trânsito da Av. Morumbi. Ou seja, passou a ponte Morumbi, prepare-se para descer a qualquer momento. Ontem paramos pouco antes do Palácio dos Bandeirantes, o que alivia bastante a caminhada. Ainda mais quando está chovendo…

Uma vez na Av. Morumbi, hora de andar até lá embaixo (subindo e descendo as ladeiras). Mais um pouco e estaremos na entrada dos portões das arquibancadas Azul e Laranja.

E é esse o nosso lugar. Enquanto procuramos um espacinho no meio da multidão, descobrimos que perdemos todas as apresentações da noite. Tem gente que está ali desde as três horas da tarde. Já viu Chimarruts, Train e Ziggy Marley pisarem naquele palco. Nós, felizmente, viemos em tempo…

A chuva aperta. De um lado, uma adolescente treme de frio. Ela veio de camiseta e está ficando ensopada. Aliás, a roupa das pessoas é um capítulo a parte em shows nos estádios paulistanos. Alguns vestem a roupa mais velha e descartável do armário. Outros colocam roupa de festa, balada, night, do rock! Shortinho curto, meia-calça, bota, Havaianas, regata, camiseta, blusa contra neve… Ontem se deu bem quem trouxe pelo menos a capinha de chuva.

Ela foi a estrela da noite. Encapuzados, ouvimos os primeiros acordes. A colombiana começa o espetáculo. Serão uma hora e meia de muito, mas muito rebolado. Dizem que a Shakira tirou duas costelas para poder dançar como dança. Assim, ao vivo – mesmo a muitos metros de distância – parece que essa lenda é verdadeira. Ela não para de mexer os quadris. No final das contas, sobra carisma, simpatia e sensualidade.

Porém, a cantora não faz nada comparável às super-produções de Madonna ou Paul McCartney. O som estava baixo, assim como no dia em que Coldplay – que ganhou da platéia o coro de “aumenta o som!” – e Black Eyed Peas – quando também não se entendia muita coisa – passaram por ali. A pirotecnia é inexistente. Um vídeo aqui, outro ali, e apareceu a homenagem à África, legendada em espanhol. Tudo bem, está quase lá, mas podiam ter colocado em português. Mesmo assim, todos tentam repetir a coreografia que ficou famosa na Copa do Mundo de 2010. Shakira brilhou na festa de abertura, e ontem provou que merece o prestígio que mantém. Apesar de terem desligado seu microfone nas primeiras estrofes do bis…

Mas a estrela do show é ela, e a banda é excelente. Talvez a pouca empolgação do evento seja culpa da chuva que insiste em cair; da qualidade técnica; do azar de não estar na fila do gargarejo.

Na saída, a aglomeração forma uma massa de encapados feito pinto molhado. Se um alienígena descesse na Terra nesse momento, acharia que nossa moda é bem esquisita.

MElhor estar quentinho, mesmo. Pois está na hora de encarar a subida e escapar da confusão. Um táxi nessa hora é difícil, caro e muito disputado. Enquanto apertamos o passo rumo à casa quentinha, meu pai continua preocupado. “Será que dá para ver o perigeu?” Sem chances… Resta-lhe esperar a próxima data em que a lua vai estar no ponto mais próximo do nosso planeta (isso aconteceu pela última vez em 1993). Ontem foi noite de olhar para o céu e ver apenas um monte de gotinhas caindo preguiçosamente sobre a terra da garoa.