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Faz quase meia década que ele está lá, abrigado confortavelmente na Estação da Luz (esta bem mais antiga). Se foram cinco os anos que se passaram desde a sua inauguração, então devo ter ido lá mais de uma vez por ano. Sim, porque essa pode ter sido a sétima vez que fui passear no Museu da Língua Portuguesa.

A desculpa para mais uma vez percorrer os três andares com exposições detalhadamente montadas não poderia ser melhor. Fernando Pessoa estava lá. Chegara a vez do grande poeta português fazer-se presente nas típicas instalações artísticas criativas desse museu.

O evento já estava ocorrendo desde agosto do ano passado (!), e só agora aquele tempinho precioso apareceu para que eu fosse conferir a mostra. Por sorte, consegui chegar a tempo: era o penúltimo dia. Fernando Pessoa saiu de cartaz ontem, sem antes deixar cravado na memória seus pensamentos e divagações sobre a vida.

Fernando por Pessoa

A exposição foi, mais uma vez, muito feliz na proposta lúdica, de interação com os públicos mais variados. Na entrada, painéis explicavam quem foram os mais conhecidos homônimos do escritor. Porém, um lugar ficou reservado para contar quem foi o próprio Fernando Pessoa, em definição própria.

No quesito profissão, ele assim se definia: “A designação mais própria seria tradutor, a mais exata a de correspondente estrangeiro em casa comerciais. O ser poeta e escritor não constitui profissão mas vocação”. Ainda bem!

Ganhamos um senhor pensador da alma e das dores humanas. Para brindar-nos com pedacinhos de sua obra, produziram uma “meia-cabine” onde eram projetados trechos de poemas. Cada persona ganhou seu lar; cada trecho ganhou seu espaço; e para sermos o personagem da vez, bastava que saíssemos do lugar para a projeção exibir um novo texto. Assim, tornava-se impossível ser apenas admirador passivo da sabedoria de Pessoa.

Nos corredores, uma linha do tempo narrava as peripécias do autor, enquanto do outro lado podíamos brincar com as palavras de poesias famosas refletidas em espelhos.

Depois, um grande salão abrigava quadros com fotografias de grandes poetas, ilustrações e desenhos retratando Pessoa e um vídeo onde ecoava a sua poesia. Ao centro, uma mesa deixava disponível livros e mais livros com sua obra. Era a mini biblioteca às mãos dos visitantes.

Outro painel tinha imagens de santos e palavras escritas em caixas de areia. O mar português também estava retratado quase fisicamente dentro do espaço negro que abrigava a exposição. O poeta recebeu uma homenagem a altura do seu talento.

Souvenir

Na saída, parece que muita gente ficou com a mesma vontade de levar para a casa um pouquinho da montagem vista por ali. Eu mesmo não resisti e saí clicando os trechos dos poemas iluminados pela luz do projetor. Outros filmavam as palavras sendo escritas como na época da máquina de datilografar. Tudo interativo, tudo muito bonito.

E quem sabe dá para colocar um Pessoa pendurado na parede da nossa casa?!

O Museu

Mesmo sabendo algumas coisas “ao pé e salteado”, decidi subir novamente ao segundo andar (deixei o terceiro para a próxima vez porque, aí sim, seria exagero – o filme de apresentação e a Praça da Língua são excelentes, mas espero ver algo diferente quando voltar de novo). E valeu a pena. Deixando as exposições “históricas” de lado, sentei-me no sofá diante da tela gigante, que percorre 106 metros na extensão do corredor. Diante daqueles vídeos eu nunca havia parado. Sempre acompanhada de turistas ou amigos, ficava caminhando pelas outras partes do espaço. No sábado, não. Sozinha, fiquei ouvindo o Lázaro Ramos narrar um pouco da nossa música; vendo o carnaval, os festejo, as religiões; vendo a Regina Casé constituindo um pouco do que faz na televisão. Meu único lamento foi não ter podido evitar o comentários das senhoras ao lado, enquanto a música “Os mano, as mina” tocava alto: “e eles estragam a língua portuguesa”. É, parece que tem gente que às vezes não entende nada mesmo…

Ficha técnica:

Museu da Língua Portuguesa

Praça da Luz, Centro

Aberto de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas.

Preço: R$ 6,00 (Estudantes e idosos pagam R$ 3,00)

Aos sábados a entrada é gratuita.