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Depois que passaram as emoções do começo do ano, fiquei lembrando de cenas engraçadas de um Rio de Janeiro cheio de surpresas. As duas primeiras parecem mentira, mas aconteceram e há testemunhas… O último detalhe fica a cargo dos pastéis do Bar do Adão, merecidamente gravados na memória.

Construção

Meu amigo já tinha me avisado: a Lapa é um lugar onde tudo pode acontecer. E pode mesmo.

Estávamos há um tempo buscando um espaço em algum bar entupido de gente. Sim, porque às vésperas da virada do ano, as ruas tinham sido tomadas. Turistas de todos os lugares juntavam-se aos cariocas e queriam aproveitar a última madrugada do ano velho.

Sem esperanças de lograr um cantinho por ali, nos lembramos de um bar que havia ficado para trás. Ele estava completamente vazio, sem música… E, depois da caminhada, parecia perfeito para refrescarmos a garganta da noite carioca.

Pois encontramos o lugar já um pouco mais animado. Compramos nossa cerveja, brindamos o Réveillon do dia seguinte e dois goles foram suficientes para mostrar o imprevisível. “Os homens do bar estão usando capacete de obra”, alertou o meu amigo. É, devia ser a decoração do lugar.

Mas nada parecia normal ali dentro. Aliás, as coisas no Rio de Janeiro tendem a ser um pouco surreais mesmo.

Intrigados com aquele ambiente, um misto de anarquia com bagunça mesmo, perguntamos à “garçonete” se o bar estava sendo inaugurado naquele momento. E não é que estava?! “O mestre de obras comprou uma cerveja para comemorarmos o final da construção do bar. As pessoas da rua viram que estava rolando uma festinha, abriram a porta e começaram a entrar. Aí corremos para comprar mais cerveja e resolvemos inaugurar assim mesmo”, explicou a amiga dos donos, que fazia as honras da casa.

Era isso: os pedreiros colocaram o preço e serviam a bebida para o público que, sem saber, dera o pontapé inicial para um bar inusitado.

O bar diferente

Alegria sobre rodas

O ano terminou e chegara a hora de voltar para a casa. Afinal, precisávamos de uma cama macia depois de perambular pelas areias do Arpoador. Enquanto caminhávamos para a estação de metrô mais próxima, aconteceu duas vezes: um ônibus andando apressado pelas ruas trazia os garis para o primeiro dia de trabalho do ano, literalmente. Até aí, nada demais. A cena passaria despercebida se ali estivessem alguns homens vestindo seus uniformes laranja, prontos para empunhar as vassouras e deixar pra lá a sujeira espalhada pelas praias. Porém, não era o caso.

Nas duas vezes, eles estavam lá dentro com a maior alegria do mundo. Pulavam, dançavam, cantavam e batiam na lateria do ônibus, festejando o ano novo, saudando quem viam nas calçadas… Eram pessoas esbanjando felicidade e abrindo o primeiro sorriso sincero da década. E, nas duas vezes, nem deu tempo de sacar a minha câmera…

Pastel dos deuses

Finalmente, não podia deixar de recomendar o Bar do Adão. Muito recomendado pelos guias mais respeitados, é realmente bom demais. Você pode conhecer as unidades do Grajaú, Botafogo, Tijuca, Lapa, Leblon e Copacabana. Eu fui ao bar da Lapa e comi o pastel Francês. Imagine um camarão graúdo e macio, com alho poró e catupiri. Divino. E ainda dá pra almoçar, jantar, tomar um chopp, encontrar os amigos…