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Sabe essas festas que aconteceram nos últimos dias, quando fogos de artifício explodiram nos céus de todo o mundo e garrafas espalharam champanhe pelos ares? Pois é, isso indica que o ano virou de novo. É a vez de 2011, da década de ouro de muitos lugares por aí. No Brasil, andam alardeando que é justamente a década dourada do Rio de Janeiro. Chegou a vez de a cidade provar o porquê de ser tão famosa nos quatro cantos do planeta.

A começar pelo Réveillon de Copacabana, não vai ser nada difícil conquistar o coração de brasileiros e estrangeiros. Sim, eu estive lá e vi que o Rio já tomou conta do coração de todos quando chega a data mais comemorada de sempre: o 1º de Janeiro.

Pegando o bonde para as areias de Copacabana

A noite começa em uma estação de metrô qualquer. Para encontrar as praias que já estiveram abarrotadas de gente durante o dia, você precisa garantir o seu bilhete especial de Réveillon. Só não se esqueça que outros 2 milhões de pessoas estarão atrás do mesmo ticket especial. Assim sendo, compre o seu o quanto antes.

Funciona assim: as entradas para o metrô reservam o seu lugar em um horário definido. Quem fica sem o bilhete premiado, tem que viajar até às 19 horas ou depois das 7 da manhã do primeiro dia do ano novo.

Claro que a lei de Murfy estava ao meu favor. Por isso, corri para ajeitar os preparativos de ano novo, tomei o último banho do ano velho e consegui pegar o trem faltando vinte minutos pra hora limite.

Por incrível que pareça, as estações estavam tranquilas. E eu só ia entender o motivo quando chegasse a meia-noite.

A praia, o céu e muita expectativa

Não acredite em tudo o que você vê na TV. Copacabana fica lotada, sim, mas para frente do palco principal. Como era de se esperar, o show de Daniela Mercury, Alcione, Zeca Pagodinho e outros artistas foi preparado especialmente para os VIPs do Copacabana Palace. Dali até o outro ponto da praia, é um mar de gente.

Arrisquei alguns minutos tentando ver a baiana soltando a voz em cima do palco, mas os organizadores insistem no erro de instalar os serviços de apoio bem na frente do palco. Talvez sem tantos caminhões e tendas atrapalhando a visão mais privilegiada do concerto, a multidão impedisse que os bambambãs apreciassem o show de camarote (quando os Rolling Stones estiveram lá em 2006, não foi diferente…).

Atrás do palco, o cenário muda. Há espaço de sobra na Atlântica e nas areias da praia. Até o mar recebe de braços abertos quem quer antecipar os pedidos a Iemanjá ou pular as sete ondinhas. Afinal, nunca é demais na hora de desejar saúde e sorte para o ano que vai nascer.

Contagem regressiva

Quando faltam quinze minutos, todo mundo resolve descer para a praia. Lembra que o metrô estava vazio cinco horas antes? Pois acho que a ceia se estende até quase o último minuto. As ruas que levam ao mar enchem-se de gente preparada para ver o espetáculo nos céus.

E depois dos 10 segundos finais, um dos mais belos Réveillons do mundo está inaugurado oficialmente. Enquanto a música explode nas caixas de som, o brilho dos fogos acompanha a melodia. Da música clássica até um sambinha que não poderia faltar, tudo parece ter sido muito bem ensaiado.

Quando tudo emudece, a alegria toma conta. No ambiente mais pacífico, no clima mais animado, tem lugar pra turma que trouxe o pandeiro e o violão. Quando eles passam cantando uma marchinha de Carnaval, a senhora bem arrumada abre o sorriso mais sincero e gentil da noite. Nas ruas, as pessoas vêm e vão procurando um cantinho para comemorar a primeira madrugada do ano. São milhares festejando vestidos de branco.

A chuva cai e ninguém se preocupa com isso. Todos mantêm o compromisso de esperar o sol nascer. Eu resolvo ir para o Arpoador, na festa mais surreal da minha vida. Descubro mais tarde que aquele era o point de críticos de arte e gente da alta roda carioca. Estava na festa de Ernesto Neto, que existe desde 1998.

É o Rio de Janeiro

No final das contas voltei de lá tendo a certeza de que o Réveillon carioca é realmente especial. Os fogos são um dos momentos mais belos que já presenciei; o furor nas ruas está longe de ser desorganizado; as pessoas estão ali para aproveitar a noite sem neuras ou vontade de ir embora. Nesse ano talvez tenha faltado apenas uma coisa: o sol. Porque às 7 da manhã as nuvens não arredaram pé. Mesmo assim, “o Rio continua sendo”. Antes de chegar em casa, o bêbado preocupado pediu para o senhor que passava lhe dizer que horas eram. “Eu preciso tomar o meu antiinflamatório”, explicou.

Ah, e para garantir que esse ano será inacreditável, o Mágico de Oz estava passando na mesma TV que nos iludia com a idéia de que não haveria lugar para nós em Copacabana.